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A Outra Face da Lua

A Outra Face da Lua

04
Mar18

Orgulho

ipgines

No que mais sinto orgulho.

 

Não tenho grandes feitos dos quais me sinta transbordar de orgulho. Ultrapassei as minhas pequenas batalhas que, sei que muita gente não aguentaria como eu aguentei.

 

Uma delas foi mesmo a minha ida para Londres.

Não tinha emprego nem conhecia ninguém. Ninguém me ajudou, ninguém me explicou nada, apenas uma agência de emprego me auxiliou em toda a papelada e burocracia necessárias. De resto, fui encontrando os meus empregos, tive sorte com o primeiro quarto que arrendei e nas pessoas que conheci na casa. Ao fim de, sensivelmente, dois anos começou a minha batalha contra aquilo que eu sabia ser uma depressão. Já se arrastava há alguns anos, mas sentimentos profundos que nunca tinha experienciado levaram-me mesmo a duvidar da minha existência.

Nunca tinha pensado chegar a este nível tão baixo de energia (que o é) e por isso nada me faz duvidar que pudesse sentir-me pior. Fui, pela primeira vez, a um psicólogo que deixei poucas semanas depois. Não gostei. Ao final de mais de um ano comecei a ver outro que gostei ainda menos. Adormeceu numa consulta.  Uns meses depois lá consegui umas consultas por Skype com uma psicóloga portuguesa que, realmente, me fez arregaçar as mangas e fazer algum trabalho.

 

Se é orgulho que sinto quando penso pelo que passei e pelo que consegui ultrapassar, não sei. Sinto-me, por vezes, invencível quando sei que houve uma altura em que não queria viver e hoje isso já não acontece, pelo menos. O sentimento extremo de ódio intolerância pela minha própria existência já não é diário. E o esforço necessário para deixar de penaar assim, só quem passa por isto saberá.

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