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Em Setembro de 2016 dei a minha carta de demissão. Estava cansada, custava-me sair da cama e todas as manhãs chegava ao trabalho atrasada. O tempo extra ao final do dia não parecia compensar nem convencer o chefão, além de me sentir completamente estagnada profisisonalmente e a sentir que o ano e meio dedicado àquela empresa não me ía dar muito mais.

Não estava bem nem no trabalho nem em casa e as viagens de casa para o trabalho e vice versa eram feitas na mais absoluta agonia, de face descaída, a esconder as lágrimas que rolavam tão insistentemente.

Aquela demissão soube bem. Mas vinha a incerteza. Não tinha nada confirmado para depois, apesar de ter planeado ficar em casa até ao final do ano.

Queria ir passear mas sem gastar muito dinheiro. Olhei para o mapa de França e lá elaborei um roteiro pela zona Este do país. Tinha encontrado bilhetes para o TGV de Londres a Paris a preços interessantes e assim atravessei o canal, bem cedo, na manhã de dia 17.

Já conhecia Paris de outras viagens e não queria lá ficar muito tempo até porque não sou uma apaixonada pela cidade. Assim que saí da Gare du Nord caminhei até ao Sacré Coeur pois nunca lá tinha ido. Daí, desci pela cidade, almocei junto ao rio e rumei à catedral Notre Dame. Sentei-me, contemplativamente, de frente, a observar os turistas e as pessoas à minha volta. Ainda fiz uma "quase amizade" com um latino-americano mas o autocarro rumo a Reims impediu-me de tomar um amigável chocolat chaud.

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Em Reims ía com ideias de visitar as caves de champagne mas eram um pouco longe da cidade e o país não é o mais barato em termos de transporte. Fiquei-me pela cidade, e percorri as suas ruas. Muitas feiras de Natal estavam a ser preparadas na altura e ainda senti um pouco do espírito festivo.

Gosto muito de catedrais e sés e, quase sempre, visito-as.

 

Segui viagem para a cidade de Metz, atravessada pelo rio Moselle, conhecido pelos seus vinhos, de vinhas assentadas ao longo de todo o rio (em França, Luxemburgo e Alemanha). Como sempre, faço uma caminhada de reconhecimento da cidade e, daí, entrenho-me no seu dia a dia e visito aquilo que mais me marcou. Felizmente tenho bom sentido de orientação e quase raramente me perco gravemente.

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De Metz, a aventura continuou rumo a Estrasburgo. Amei a cidade! Muito pituresca com os seus canais, muito alemã pela arquitectura bem preservada e pela imponente catedral! Aconselho a toda a gente visitar a cidade em Novembro e Dezembro durante as feiras de Natal. A cidade vive ao máximo a época festiva e torna-se mágica.

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De Estrasburgo há comboios que nos levam a Colmar, uma vila pituresca também povoada com casas em estilo enxaimel, tão características da região.

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De Estrasburgo adorava ter ido aos Alpes franceses e ter pernoitado em Chamonix mas percebi que não teria tempo de voltar ao TGV em Paris. Assim, decidi ir até Lyon. Chovia imenso quando cheguei e vi-me aflita para encontrar o hostel. Lá tive de recorrer ao meu francês enferrujado para me salvar daquela situação. É uma cidade intimidante numa primeira impressão, principalmente a zona mais residencial e onde os serviços são mais abundantes. Mas se estranhei num dia, no seguinte já se me tinha entranhado. Não tinha nada definido em Lyon e uns miúdos que conheci no hostel aconselharam-me a ir ao parque Tête d'Or. Assim fiz na manhã seguinte e foi uma manhã perfeita. O parque é lindíssimo e naquele Novembro as folhas mudavam de cor e caíam, os ramos das árvores ficavam nus e os esquilos apressavam-se numa última tentativa de recolher mantimentos.

A tarde foi passada na zona mais velha da cidade, onde subi de funicular à catedral Saint Jean Baptiste, envolta em névoa.

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Na noite antes da minha partida, estava inquieta e não conseguia dormir. Havia demasiados comboios para apanhar de volta a Paris e algo ía correr mal. Combinei um café rápido com um ex colega de trabalho na Gare du Nord.

Na manhã seguinte, lá apanhei o eléctrico para a estação de comboios TGV de Lyon e, pela uma da tarde estava em Paris, na estação de comobios Marne-la-Vallée onde ainda teria de apanhar mais um comboio para Paris central. Depois de alguns contratempos que quase me mataram de susto, lá cheguei eu por volta das 15h30 à Gare du Nord.

Nas calmas, lá tomei um lanche com o meu ex-colega, convencidíssima de que o TGV de volta a Londres era às 16h30. Não era. Perdi o comboio. Como o meu bilhete era daqueles baratuchos com pouca margem de negociações, foi-me informado que o bilhete mais barato para o próximo comboio seriam 236 euros. Entrei em pânico. Que vou eu fazer sem dinheiro no bolso? Telefonei ao meu amigo que me deu guarida e farnel e, mais tarde nesse dia, apanhei o autocarro nocturno de volta a casa.

Eu disse que eram demasiados comboios!!

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3 comentários

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De Happy a 11.01.2018 às 23:11

Uau, que peripécias. E que destemida!
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De ipgines a 12.01.2018 às 14:43

Obrigada pela visita Happy!
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De gatodeloiça a 12.01.2018 às 16:57

Grandes aventuras! Bem lá te desenrascaste!

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