Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Enquanto preparava o meu almoço, senti-a chegar. O sorriso e bem estar passaram a carranca e inquietação.

Já sabia o que me esperava.

Solitude and the Sea de Jacques Bodin

 

Toda a minha atenção, até aí pregada nas texturas e cheiros, se volta para a nuvem negra que se assoma. E foi uma coisa repentina, inexplicável e muito difícil de contrariar. Por muito que tente, não consigo, de forma clara, passar para palavras o que é sentir uma solidão profunda. Porque nenhuma palavra, nenhum nome ou adjectivo consegue descrever a solidão que não se busca.

 

A minha é culpa, é aversão, raiva e vitimização, dúvida, remorso. São também carências, desorientação, abandono, indignidade, incompreensão e angústia.

 

Esta não é a solidão que se busca de vez em quando para fugir ao rebuliço da vida. É a solidão que não se procura. Que se teme. Que me deixa muda. Simplesmente se impõe e paira por tempo indefinido.

 

Se há um ano atrás teria entrado em pânico, desta vez deixei-a estar. Trouxe um certo aconchego. Uma saudade.

 

Sentámo-nos à mesa e recuperámos o tempo perdido.

Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

Imagem de perfil

De Francisco a 22.07.2018 às 14:20

Sentimo-nos capazes de fazer tudo sozinhos, quase que como desafio ao tanto de mãos que nos rodeiam.
Queremos sentir a liberdade do vazio, mesmo que para isso abdiquemos da socialização.
Um silêncio, e o pensamento que toda essa sonoridade trás. Quase como o local do pensamento, escuro, calado, mas é tocar-lhe que preenche todo esse espaço abandonado, com cheiros que já cheiramos, sensações que já sentimos, pessoas com que já falamos. Tudo no silêncio se torna claro, tudo na escuridão o faz também. Mas é a necessidade de continuar a preencher esse vazio que a solidão se torna apenas algo passageiro, e novas sensações/pensamentos/cheiros/pessoas queremos nele, e por isso desprezamo-la certas vezes. Queremos sair dela, queremos a chave para o nosso quarto escuro.

Gostei muito de ler. Mas que não deixes a solidão te assombrar o que tens de social, pois quando o queremos, lá estamos, nesse cubículo negro, oferecendo-nos sensações que a nossa memória reteu. Mas se deixas uma outra solidão te invadir, uma que não desejes, e aceitas a sua entrada, nessa poderás entrar em decadência pois não serão as memórias bonitas que irás rever, mas sim aquelas que te deixaram nesse estado. Usa-a como meditação, não como um escape para a vida.
Imagem de perfil

De ipgines a 23.07.2018 às 21:27

"Usa-a como meditação, não como um escape para a vida."
Foi isso que tentei fazer
Imagem de perfil

De Nuno a 22.07.2018 às 22:11

Eu também temo essa solidão e ate a dois anos atrás vivia diariamente. Essa solidão se nso souber. Os lidar com. Ela destrói os lentamente. Mas usa este teu cantinho para te sentires menos sozinha. Cá estaremos sempre para te visitar
Imagem de perfil

De ipgines a 23.07.2018 às 21:28

Obrigada

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor




Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.