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Mais de Mim

30.01.17

Já tinha referido que me interesso bastante sobre o assunto Depressão e as formas como afecta as pessoas, pelo que pesquiso sobre o assunto e busco opiniões. Jacque Fresco - "engenheiro social" - explicou a depressão como uma falta ou perda de identidade. Fala também da projecção da nossa identidade em coisas físicas ou actividades em vez de em nós próprios e naquilo que realmente somos. Como nos definimos? A grande maioria projecta a sua identidade na sua actividade profissional.

 

À medida que vou lendo um pouco mais sobre o assunto e em relação ao bem estar humano, cada vez mais me apercebo que profissionais de saúde e medicina moderna chegam a conclusões que se aproximam de crenças já defendidas por religiões milenares como o hinduísmo e budismo. Meditação, dietas vegetarianas e vegan, mindfulness, técnicas de respiração, a lei da atracção... Acho que a ciência, tão descrente no que não pode provar, apenas procura o que estas religiões já praticam e acreditam há milénios.

 

Muito recentemente assisti a um webinar apresentado por Herman Siu. Podem encontrar mais sobre ele nos canais de Youtube Herman Siu e Vybe Source. Ele é budista e descendente de várias gerações de monges Shaolin. Foi interessante ouvir sobre as suas crenças e a educação que lhe foi dada e a forma como ajuda as pessoas. Tudo acaba por se focar no mesmo assunto... Viver o presente, recorrer à meditação para acalmar e nos focarmos em "deus". Muitos acreditam ser  o senhor de barbas, outros uma entidade superior sem forma, outros energia, outros a alma. O budismo ensina a escutar e dar atenção à alma, ao coração. Estamos numa era em que há uma adoração pelo corpo e padrões fixos de beleza. Dá-se também uma maior atenção à mente e o tal mindfulness, difundidos por movimentos new age que começaram a trazer ao mundo Ocidental estas práticas milenares Orientais para equilibrar as nossas vidas nesta sociedade consumista que nos "obriga" a viver a mil à hora e a ter e ser mais que os nossos pares. Mas ainda não estamos no caminho certo para compreender as razões da vida. O porquê de aqui estarmos.

 

Ele fala sobre como nos dias que correm há imensa pressão para atingirmos objectivos materiais. Obviamente trabalhamos para pagar casa, contas e comida mas há uma pressão extrema para atingir certos estatutos sociais através de bens materiais. E quanto mais atingimos, mais queremos e nunca nos sentimos totalmente felizes porque há uma busca incessante por algo que nunca nos sacia enquanto essência. Não há um real enriquecimento das nossas almas.

 

Enquanto crianças e até desenvolvermos um ego e entrarmos na escola, a nossa alma é "pura" num sentido em que ainda não está corrompida. Exercitamos a nossa criatividade e é-nos permitido ser nós próprios. Desenhamos, pintamos, brincamos com amigos imaginários, não julgamos os outros. Na escola, aprendemos "factos", aprendemos a ler e interpretar e somos levados a acreditar sem questionar. Matérias são-nos impostas sem qualquer recurso ao uso da nossa criatividade. Estamos fechados em salas de aula durante horas, conversar é (ou era) proibido, são-nos impostos padrões de comportamento e somos avaliados em testes e exames periódicos. Os alunos com melhores notas são elogiados e aqueles com notas menos boas são (ou eram) levados a esforços extra para melhorar notas e conseguirem aprovação dos mais velhos... E assim começa a nossa constante batalha pela procura da aprovação dos outros.

 

Isto tudo para partilhar a minha opinião baseada na minha experiência. É importante um equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal. É necessário compreender que o nosso emprego não nos define (excepto quando gostamos do nosso trabalho e este nos permite a nossa expansão) e como é essencial manter um grau de criatividade e fazer parte de actividades que nos dão prazer e nos permitem sermos nós próprios. A ligação à natureza é muito benéfica contra a depressão. Noto em mim o vazio da minha mente quando vou dar passeios e me perco a tirar fotografias. A calma de espírito quando me sento a escutar a natureza. Não penso em nada. Foco-me nos sons e movimentos do ambiente e dos animais. Muito recentemente comecei a colorir livros (sim... como os dos miúdos mas muito mais detalhados, para um público adulto). Não costumo fazer resoluções de ano novo mas pus na cabeça que este ano vou começar a focar a minha atenção em mim. Viajar por pequenos períodos de tempo para destinos acessíveis onde haja uma variedade de actividades, fazer um plano fixo de carreira sem querer tudo ao mesmo tempo, ser persistente e resistente. Em 2016 dei início ao retorno da minha criança (= criatividade) com #100happydays. Achei engraçado e decidi fazer. Não é tão fácil quanto parece porque há dias que só me apetece desaparecer... Mas já vou no meu dia 77 e realmente faz-nos perceber que somos sortudos por variadas razões que no nosso dia a dia temos como dados adquiridos. Tenho mais planos para o resto do ano que maioritariamente se focam em fotografia (nada profissional...!) e espero conseguir partilhar aqui.

 

Obrigada.

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Pensamentos negativos são a causa das nossas emoções auto-destrutivas. São estes que nos fazem sentir letárgicos e nos fazem sentir "fora do lugar". Erradamente, este tipo de pensamentos são os sintomas mais negligenciados da depressão.

 

O nosso esforço tem de ir no sentido de identificar pensamentos negativos (com ajuda das emoções que se seguem) pois são eles os culpados pelas mudanças de humor e, ao aprender a reestruturá-los, podemos assim alterar o nosso humor. Parece fácil mas estes pensamentos já fazem parte de nós. São os tais pensamentos automáticos aos quais já nem damos importância nem reparamos que aparecem...

 

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Se temos compreensões precisas dos eventos, as nossas emoções serão normais. Se as nossas percepções são distorcidas, a nossa resposta emocional será anormal.

 

Definições de Distorções Cognitivas:

pensamento tudo ou nada - avaliamos as nossas qualidades pessoais em extremos, a preto e branco. Ex.: Um aluno com 20 a tudo, tirou um 19 num exame e conclui "Sou um falhanço". Esta visão não é realista porque a vida não é feita de absolutos. Não existe perfeição no Universo. Se assim categorizamos as nossas experiências, configuramo-nos a desacreditar em nós pois nunca somos capazes de alcançar expectativas exageradas.

 

generalização - arbitrariamente concluímos que uma coisa má que nos aconteceu se vai repetir para sempre. E como se trata de uma experiência negativa, sentimo-nos em baixo. Um rapaz que foi rejeitado por uma rapariga acha que nunca vai conseguir uma namorada por causa daquela rejeição em particular.

 

filtro mental - pegamos num detalhe negativo de uma situação e ruminamos exclusivamente sobre esse detalhe considerando, assim, toda a experiência como tendo sido negativa. Se ouvimos alguém falar mal de um amigo, pensamos que, em geral, as pessoas são más e que toda a raça humana é cruel. Fixamo-nos apenas nos detalhes negativos de uma situação.

 

desqualificar o positivo - vem um pouco por arrasto da distorção anterior. Há pessoas capazes de transformar acontecimentos neutros e até positivos em algo negativo. Não só ignoramos eventos positivos como muito astutamente os transformamos em "pesadelos". O melhor exemplo é a forma como muitos de nós foram condicionados na resposta a elogios: "Está só a ser simpático" ou "Não fiz nada de mais...". Esta é uma das distorções mais destrutivas.

 

conclusões precipitadas - e negativas, tem 2 vertentes: a) leitura de mente - assumimos que sabemos o que os outros pensam, e que nos menosprezam. Um dos melhores exemplos é quando um amigo passa por nós na rua e não nos vê. Assumimos que está a fugir de nós; b) previsão do futuro - achamos saber que algo de mal vai acontecer (falsos presentimentos): Durante uma consulta de psicoterapia "Nunca vou melhorar... Vou ter depressão para sempre".

 

maximização ou minimizaçãoilusão binocular. Maximização ocorre quando aumentamos a importância dos nossos erros, medos ou imperfeições (catastrofização). O contrário acontece quando pensamos nas nossas qualidades e não lhes damos a devida importância e nos fazemos sentir pequeninos e insignificantes.

 

raciocínio emocional - as nossas emoções são prova da verdade: "Sinto-me um fracasso, então é porque sou um fracasso...". Este tipo de distorção é enganosa porque os nossos sentimentos reflectem os nossos pensamentos e as nossas crenças.

 

afirmações "devo" - tentar motivar-nos com frases como "Tenho de fazer isto..." faz-nos sentir pressionados e ressentidos. Paradoxalmente, acabamos por nos sentir apáticos e desmotivados e criam uma turbulência emocional desnecessária.

 

rotulagem - criar uma auto-imagem negativa baseada no nossos erros. É uma forma extrema da generalização. "Sou um falhado". O nosso "eu" não pode ser equiparado a nada do que fazemos na nossa vida. Esta é um complexo fluxo de pensamentos, emoções e acções em constante movimento e mudança.

 

10 personalização a mãe da culpa. Assumimos culpa por eventos negativos. Arbitrariamente concluímos que o que aconteceu foi culpa nossa ou reflecte a nossa inadequação, mesmo não tendo sido responsável pelos eventos.

 

Sabia que este post ía ser longo mas creio ser um dos mais importantes tópicos quando se fala de uma cura para a depressão. Tenho noção que tenho todas estas distorções e fiquei chocada quando me comecei a aperceber dos meus pensamentos automáticos negativos e a quantidade de "falsas verdades" em que acredito sobre mim própria.

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Tenho estado em Portugal nestes dois últimos dias, pelo que não tenho dado continuação ao blog. Cá em casa deparei-me com um livro que já não sei se comprei se me ofereceram, sobre como lidar com pessoas: "Saber Lidar Com As Pessoas - Princípios da Comunicação Interpessoal" de António Estanqueiro. Acho teorias interessantes mas aplicar estas coisas é mais difícil do que parece...

 

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Diz o autor "Uma pessoa que se conhece poderá, mais facilmente, superar os seus pontos mais fracos e desenvolver os seus pontos fortes. Deste modo, dará um passo decisivo na construção da auto-estima e da autoconfiança, atitudes facilitadoras da comunicação interpessoal".

 

"Auto-estima não é egoísmo. A auto-estima, desde que seja equilibrada, não fasta as pessoas umas das outras. Pelo contrário. Quem gosta de si, cultiva relações humanas mais positivas, está mais disponível para gostar dos outros e cooperar com eles. Ter auto-estima significa aceitar-se, apreciar as suas qualidades, valorizar os seus esforços e relativizar críticas."

 

"A autoconfiança, sinal de auto-estima e base da motivação, é uma atitude que exerce influência positiva no desenvolvimento pessoal e na relação com os outros. O grau de sucesso de uma pessoa é proporcional à força com que acredita em si própria e nas suas capacidades. Uma pessoa sem autoconfiança nunca vai longe. (...) Tem medo de falhar. Desiste, perante as dificuldades. Uma pessoa com autoconfiança vê os problemas como desafios. Persiste, apesar dos obstáculos."

 

Não creio conhecer-me bem... Não tenho noção das minhas capacidades e por isso não tiro partido delas. Por outro lado, considero-me persistente principalmente quando me enfio em alhadas e tenho de aguentar e aceitar as consequências tentando sempre aprender algo. Sei que tenho baixa auto-estima e por isso não comunico bem nem me defendo como devia. Às vezes até parece que perco o respeito por mim própria de tanto querer agradar aos outros em vez de fazer o que me apraz...

 

Não deveríamos dar atenção também a isto nas escolas e criarmos jovens assertivos com respeito pelo próximo? Mas suponho que seja um efeito "pescadinha de rabo na boca". Adultos pouco equilibrados não podem ensinar sobre o que não sabem.

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Já por várias vezes tenho falado sobre o mal da ruminação quando se vive com depressão. Hoje tinha planeado um outro tipo de post, mas uma vez que agora tenho esta oportunidade de escrever e haver pessoas que usam algum do seu tempo para ler os meus posts, vou partilhar o que me aconteceu hoje e como isto mexe comigo e não consigo compreender porquê...

 

Tive uma manhã perfeitamente normal. Há pouco mais de 2 meses estou em casa porque me despedi do meu antigo emprego como assistente de contabilidade num hotel. Desde que acabei a faculdade em Turismo e Hotelaria que trabalho na área mas em diferentes departamentos. Na semana passada, depois de 2 entrevistas, fui convidada a fazer parte do departamento de reservas num hotel na zona Este de Londres. Hoje participei de uma apresentação da empresa aos novos colaboradores.

 

Tinha 2 chamadas não atendidas de uma pessoa a quem mais tarde devolvi a chamada. Quando falo com esta pessoa ao telefone é, normalmente, para ela desabafar, mas hoje, para além de desabafar, ainda me contou que alguém em quem eu confiava muito e por quem tinha, e acho que ainda tenho, uma consideração enorme, andou a dizer a outras pessoas que eu sou "maluca" (crazy). Não me sinto confortável a contar a história inteira mas... A minha questão aqui é: "Mas porque é que eu dou ouvidos a esta gente?? Porque é que eu não quero acreditar nisto mas dentro de mim tenho medo e pavor que seja verdade!"

 

Sinto ter uma necessidade exacerbada em agradar toda a gente (mesmo sabendo não ser possível) e isto dói-me! Sou uma pessoa pacífica, nunca fiz mal a ninguém e limito-me a viver a minha vidinha a um canto sem ofender as pessoas. Pior é não saber se isto realmente se passou... E se passou, qual é o problema das pessoas??!!

 

Ou:

a) isto aconteceu e a pessoa que sempre me apoio no último ano e meio é falsa e maldosa

b) isto não aconteceu e a pessoa que criou o boato é maldosa

c) o facto de me terem contado que isto aconteceu (ou não) é pura maldade e denota falta de sensibilidade

 

Numa altura muito má da minha vida espalhei boatos e carrego isto na consciência e sinto-me culpada por ter criado distúrbios aos outros. E acho que me sinto assim pela depressão que carrego. E carrego-a como um castigo pelas maldades que fiz (ou penso ter feito). Pessoas que se mostraram maldosas para mim e tiraram partido da minha fragilidade, sem qualquer sentido de respeito pela minha vida pessoal ou imagem social fazem vidas felizes. Será que estas experiências não lhes pesam?

 

Acho a depressão uma doença "egoísta". Refiro-me a este ego ferido. À vitimização. E por muito que compreenda que não me posso apoiar neste argumento, apetece-me gritar a todos os que me magoaram e perguntar como podem viver e continuar bem depois de magoarem outras pessoas.

 

Este desabafo foi catártico... Obrigada.

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A forma como pensamos nas coisas tem um impacto no nosso humor, ansiedade e níveis de stress. Muitos destes pensamentos surgem sem nos apercebermos, fora do nosso controlo. É, por isso, importante lembrar que são só pensamentos, não são baseados na realidade, não são factos. Mesmo que acreditemos em muitos do nossos pensamentos inúteis e negativos, quando nos sentimos em baixo, ansiosos ou stressados, é bom lembrar que devemos questioná-los e não acreditar cegamente neles. Muito provavelmente são baseados em suposições erradas.

 

Como saber se estamos a pensar de forma realista ou inútil?

 

Categorias de pensamentos:

sobre nós:

* Sou aborrecida

* Sou feia

* Sou um falhanço

 

sobre os outros:

* Ninguém gosta de mim

* Todos implicam comigo

* Todos são melhores do que eu

 

sobre o futuro:

* As coisas nunca vão melhorar

* Não há esperança

* Estou destinada a falhar

 

sobre o mundo:

* A vida é injusta

* O mundo é um sítio horrível

 

Perceber que sentimentos geram os pensamentos, que efeitos têm no nosso bem estar e que comportamentos desencadeiam. O gráfico seguinte constuma ser dado em branco para cada um preencher consoante as suas experiências. Dos grupos que fiz parte, todos os membros tinham as mesmas coisas escritas.

 

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O Novo Cérebro

21.01.17

Como apresentado no post anterior, temos dois tipos de cérebro: o velho e o que vou desenvolver um pouco mais hoje - o novo. Nem sei se estou a utilizar os termos mais correctos, mas acho que é uma matéria fácil de compreender.

 

Portanto, para além da parte do nosso cérebro mais primitiva que nos permite, efectivamente, sobreviver e nos leva a satisfazer as necessidades mais básicas, há uma parte do cérebro que se desenvolveu e que é responsável pelo nosso sentido do "eu", da existência de um ego e de uma consciência. Desenvolveu também capacidades de imaginação, de processos de pensamento, raciocínio e planeamento. É-nos possível pensar num futuro e no tipo de "eu" que queremos ser, como queremos sentir, a vida que queremos, e podemos também pensar no passado e ruminar sobre acontecimentos que foram felizes e menos felizes. Podemos referir estas capacidades como fazendo parte do nosso novo cérebro ou mente. Planeamos conflitos e vingança, ruminamos no quanto nos sentimos infelizes, criamos ideias de inferioridade ou superioridade e uma identidade focada em ganhar força ou submissão.

 

Este novo cérebro pode ser sequestrado e conduzido pelas paixões, desejos, ameaças e medos do cérebro primitivo. Em vez de usarmos o raciocínio e atenção para controlar emoções desagradáveis ou ajudar-nos a estimular emoções positivas, o cérebro primitivo puxa-nos para uma ansiedade baseada em ameaças e ira, e este estado torna-se o epicentro dos nosso pensamentos, sentimentos e imaginação.

 

Mas, podemos aprender a parar este processo. Podemos observar melhor estas emoções e pensamentos e decidir que direcção tomar. Aquilo que hoje tanto ouvimos de "mindfulness". Viver no presente. Exercícios baseados em auto-compaixão é notar como a nossa mente fica refém de emoções nem sempre úteis e que nos fazem sentir mal. Assim, podemos concentrar os nossos pensamentos e atenção em outras coisas mais úteis e positivas para gerar emoções como compaixão que nos ajudará com a ira e ansiedade. Para exercitar o cérebro neste sentido, é importante perceber que não temos qualquer culpa no que sentimos. Não escolhemos ter estas capacidades mentais. E sabemos ser muito comum pessoas com depressão culpabilizarem-se por sentir e pensar assim.

 

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No Sistema Nacional de Saúde no Reino Unido são dadas várias ferramentas de apoio aos pacientes. Porque o nosso bem estar vai além de grupos de apoio ou psicoterapia individual, como já referi, a maior parte do esforço tem de partir dos mais interessados. Nós.

 

Uma dessas ferramentes é um pequeno livreto sobre como treinar a mente para a compaixão. Infelizmente não faz referência a quem o desenvolveu e, por isso, não sei quem creditar. Este livreto é constituído por uma introdução sobre o cérebro humano, explicações sobre o que são emoções e o papel que têm no dia a dia, como nos afectam e como reagimos. Há dois "desafios": lidar com a complexidade do nosso cérebro e encontrarmo-nos aqui e agora.

 

     Sabemos que as nossas emoções mais complicadas e muito do nosso sofrimento ocorre devido ao que sentimos no nosso corpo e na nossa mente. Nós todos gostaríamos de nos sentir felizes em vez de sofrer e, mesmo sabendo que as nossas emoções e humores são a fonte do nosso sofrimento, achamos difícil manipular as emoções de modo a nos sentirmos melhor e mais felizes. Podemos continuar assim e esperar que as coisas melhorem ou podemos compreender e treinar a nossa mente de forma a regular as nossas emoções mais desagradáveis e a gerar mais emoções agradáveis e positivas. O primeiro passo é entender porque é que emoções podem ser tão difíceis e como a culpa não é nossa.

 

     A evolução do Homem explica a complexidade do nosso cérebro. A dor física existe para nos alertar de algo que possa estar errado no nosso corpo e que precisa da nossa atenção. Como compreendemos melhor a dor física, aprendemos a regulá-la. O mesmo se passa com emoções difíceis como ansiedade, ira ou depressão. Por isso é necessário entendê-las e o porquê de existirem.

 

     Há dois "tipos de cérebro": o velho e o novo.

     O velho ou primitivo, que evoluiu durante milhões de anos e é muito parecido ao de outros animais, faz-nos buscar abrigo, procurar comida, manter-nos livres de perigo, regular a temperatura corporal. E é responsável por muitos dos nossos comportamentos como lutar e desafiar os outros por posições e estatutos, ter conflitos e inimigos, procriacão, formação de relações próximas e laços de amizade, cuidar dos mais novos e responder a pedidos de ajuda. Para além destes desejos e comportamentos físicos intrínsecos ao Homem, ainda temos de lidar com emoções originadas por diversos momentos da vida.

 

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Só Um À Parte

19.01.17

Para falar um pouco mais sobre mim e as razões porque decidi começar este blog.

 

Gostava, primeiro, de agradecer a quem o leia e convido-vos a comentar. Sejam experiências, opiniões ou desabafos. Volto a mencionar que a minha intenção é ajudar. Se pudesse, puxava da cama todos aqueles que vivem com depressão e fazia os possíveis para lhes melhorar a vida.

 

Depois de levar anos a sentir pena de mim e perceber como estou a prejudicar a minha vida e o meu futuro, estou a tentar mudar as minha atitudes e os meus hábitos.

 

Sempre gostei de escrever sobre os meus sentimentos embora seja bastante dificil descrever o que se sente com depressão moderada a grave. Escrevi diários diversas vezes mas por se tornar tão repetitivo e escrever sempre sobre o mesmo assunto e sempre nos meus momentos mais baixos, acabei sempre por parar. Comecei a interessar-me mais pela doença, participei de dois grupos de terapia cognitivo comportamental, pesquisei e li livros sobre pessoas que vivem ou viveram com a doença e comecei a procurar grupos de apoio. Dada à elevada procura destes grupos através do SNS do Reino Unido, as vagas são restritras e há uma lista de espera para garantir grupos pequenos e estes recebem apoio semanalmente por 1h30 durante 10 a 12 semanas. O nosso estado mental é avaliado semanalmente através de testes e, dependendo da gravidade de cada um, podemos ser chamados para fazer terapia individual. Que foi o meu caso, e rejeitei. Nesta altura estava a dose máxima de antidepressivos, que me tornaram numa pessoa totalmente diferente. Com tempo fui baixando a dose e neste momento estou em dose mínima para me dar clareza de mente e permitir trabalhar.

 

Estou contente com os efeitos que este espaço tem tido em mim. Costumo perder o interesse muito facilmente e o blog tem-me feito exercitar a mente e estou extremamente motivada em criá-lo e desenvolvê-lo mais.

 

Não me vou limitar a falar da doença e do que aprendi em terapias, mas das formas que tenho encontrado para me distrair e partilhá-las também.

 

(Todos os posts são escritos em "Português Antigo" porque não percebo nada do Acordo Ortográfico. Desculpem.)

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Qualquer pessoa que seja assistida por psicoterapia sabe que a maior parte do trabalho e o maior esforço recai no paciente.

 

Sei, por experiência, que ouvir "Tens de fazer um esforço" faz-nos sentir pior mas é importante sermos nós a fazê-lo e tomarmos iniciativa. Ganhar coragem e lutar. Sabemos que exercício físico nos faz sentir bem mas o simples facto de termos de ir ao ginásio ou sair de casa para um passeio, não merece o incómodo; sabemos que ir ao encontro de amigos nos faz sentir bem mas "Para quê? Não vale a pena..."

 

Um dos exercícios que a Terapia Cognitivo Comportamental nos obriga a praticar é aprender a reconhecer pensamentos negativos e desafiá-los. Desafiá-los com factos verídicos que os contradigam e desacreditem. Que nos façam voltar a acreditar em nós e que ainda há esperança. É também necessário desenvolver compaixão e deixar de sermos tão duros com nós próprios. O sentimento esmagador que a depressão nos traz deve-se muito à confusão mental e à mistura de sentimentos que provocam distúribios do humor. Todo este turbilhão é assombroso e arrasta-nos ainda mais profundamente para a depressão. O facto de não conseguirmos entender as nossas próprias emoções e não conseguirmos controlá-las.

 

Sair de casa, encontrarmo-nos com amigos e recomeçar uma vida activa é provavelmente das coisas mais difíceis. Há dias em que levo horas para sair da cama. E se saio, é directamente para o sofá, a ver televisão que, acreditem ou não, é um comportamento auto-destrutivo. Esta inércia mórbida tem de acabar. O facto de uma pessoa com depressão sair da cama, é um sucesso. Sei que para muitos soa a loucura e eu própria me ri quando ouvi isto pela primeira vez, mas é uma forma de praticar a auto-compaixão mencionada acima. Lançar foguetes pela mais insignificante consquista. Porque acordar com depressão não é um despertar normal. Sair da cama, lavar a roupa, limpar a casa (mesmo que só uma divisão), sair de casa para um pequeno passeio é como chegar a Marte. Mas é importante perceber que não podemos querer tudo ao mesmo tempo.

 

Escusado será dizer que a longo termo, todas estas pequenas diferenças no nosso comportamento aumentam a energia que por sua vez altera o nosso humor e o círculo vicioso da depressão começa a dissipar. E é tão importante ter apoio emocional que nos motive a continuar e nos faça acreditar que merecemos.

 

breakthecycle

 

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Há quem descreva os estados depressivos como vórtexes, buracos negros, sem início nem fim, o que explica a dificuldade que há em sair deste círculo vicioso. Este pode ter início em qualquer um dos 6 factores na imagem: as 6 pétalas. Todos estão interligados e não seguem nenhuma ordem em especial.

 

Há 3 tipos de pensamentos: positivos, negativos e inúteis. Uma psicóloga voluntária que dá palestras grátis num centro de auto conhecimento no centro de Londres, disse que 80 a 90 porcento dos nossos pensamentos diários são inúteis. E somente uma pequena percentagem são positivos. E apesar de isto acontecer a todos, pessoas com depressão com pensamentos negativos e inúteis têm tendência a ruminar. Deixar-se envolver nestes pensamentos de forma destrutiva: "A culpa é minha". Por sua vez, esta ruminação e "auto-agressão" levam a alterações de humor, também elas negativas: tristeza, culpa, baixa auto-estima. Estes sentimentos afectam, obviamente os nossos comportamentos, levando-nos a uma retirada da nossa vida social.

 

Qualquer relação social é uma troca de experiências. Pessoalmente, não me acho uma pessoa muito interessante. Quando me vejo num círculo de pessoas, costumo ser calada (apesar de gostar de falar) e não me envolvo muito. Acho as outras pessoas bastante mais interessantes que eu e sempre com algo para contar. No meu momento mais baixo, a simples felicidade das pessoas durante eventos sociais era suficiente para me deixar deprimida e não achar justo eu não me sentir assim. Um dos meus maiores defeitos é comparar-me com outros. Fui habituada assim na escola e sempre fui considerada problemática por alguns professores por ter uma personalidade activa e faladora. De uma forma, a escola e os métodos de ensino da altura (não assim há tanto tempo) calaram a minha personalidade e creatividade.

 

Toda esta negatividade, não só resultado de abstinência social mas de todos os outros factores, dão lugar a comportamentos inúteis: drogas, álcool, auto-mutilação, possível suicídio. Não acho que haja muito para falar sobre isto. O facto de não nos acharmos dignos de ser felizes e de estarmos destinados a sofrer leva alguns a comportamentos auto-destrutivos. Muitas vezes, em pura agonia, me imaginei presa num quarto sem saída, sem contactar com ninguém, e só chorava. Ainda acontece. Acho que um facto frustrante na luta contra a depressão é que, apesar de termos médicos e terapeutas a quem podemos recorrer, apenas nos ajudam com medicação que não acaba com o ciclo, apenas dá clareza de mente (pelo menos a mim).

 

Todo este rebuliço mental vai obvimente alterar o nosso corpo: mudanças no apetite, ganho ou perda de peso, sono interrompido, insónia, dores corporais, cansaço geral... E o que é que acontece?? Voltamos aos pensamento negativos. Aqueles que parecem estar sempre latentes e vão e vêm e que (aparentemente) não conseguimos controlar. E assim contínua este ciclo que parece inquebrável e nos apanha numa teia de auto-destruição.

 

vicous cicle

 

 

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