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A Outra Face da Lua

A Outra Face da Lua

10
Fev18

Os "Empurradeiros"

ipgines

De volta ao sururu do quotidiano da vida suburbana, tenho-me estado a habituar às deslocações casa - trabalho - casa e a todo o caos que isto ocasiona. Desde comboios atrasados e lentos, à paragem em estações não planeadas, à espera de 8 minutos por um comboio no metro de Lisboa em hora de ponta.

Tinha saudade? Não! Mas faz parte da vida de quem tem de trabalhar e podia ser pior.

Eu sou uma defensora de transportes públicos. Tenho deles uma espécie de ideia romântica pela união, utilidade e harmonia que proporcionam. E mesmo funcionando mal, a ideia não se dissipa.

 

Utilizar o metro de Londres durante alguns anos foi uma experiência que me aumentou exponencialmente a ansiedade. Pela profundidade, pelo calor, pela antiguidade e forma tubular e claustrofóbica que o caracteriza. Dava uma enorme satisfação quando me movia pelos seus labirintos como se os conhece melhor do que a mim mesma. Mas dei por mim a ter crises de ansiedade e a ter a sensação que, a qualquer momento, me aliviaria (vulgo, fazer xixi), com pânico, no meio da multidão.

Estamos a falar de uma rede de metropolitano que, em hora de ponta, tem um comboio a rebentar pelas costuras a sair da plataforma e outro a entrar imediatamente e, que ainda assim, não dá vazão à multidão que se acumula a cada segundo nas suas estreitas e velhas plataformas.

E, ainda assim, no meio do caos há sempre um civismo calmo, silencioso e consciencioso.

 

O metro de Lisboa, desta primeira semana de trabalho, tem-me arrancado sorrisos. Ou melhor, as pessoas têm-me arrancado sorrisos pela ridicularidade de comportamentos.

Não compreendo as pessoas que empurram. Não estamos todos a tentar entrar, de qualquer forma?

Um dia destes reparei numa senhora que, dando passinhos de bebé, chegava-se cada vez mais à pessoa da frente e do lado (eu) e me ía fazendo cair. Virei-me para ela, com determinação, e ri-me. Não valia a pena...

No mesmo dia, da parte da manhã, tinha um senhor atrás de mim a dar-me cacetadas nas costas com alguma coisa. Achei que se tivesse apaixonado por mim.

Afinal, queria só passar. Fui uma cavalheira e deixei-o ir, sem castigo.

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