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A Outra Face da Lua

A Outra Face da Lua

16
Fev17

Gurus da Vida

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Quando era mais nova, os meus ídolos eram cantores pop. Aqueles seres perfeitos com estatutos de quase deuses, venerados em todos os cantos do mundo em altares caseiros nos quartos de adolescentes. E até tinham uma papel na sociedade. Artistas. Cantores, actores. Criadores de música romântica, Tony's Carreira internacionais que moviam (e ainda devem mover...) milhões de miúdos e miúdas. Fosse pelas suas aparências (que muitos deles nem cantavam assim tão bem), pelas vozes, a forma como tratavam os fãs, etc... 

 

Já há alguns anos e por causa do papel dos meios de comunicação social no mundo e acho que o empobrecimento do

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conteúdo televisivo, os nossos ídolos passaram a pessoas que nada têm para oferecer e em nada nos enriquecem. Famosos porque apareceram no Big Brother ou publicaram vídeos íntimos; têm papás ricos e a abundância os aborrece. Bloggers profissionais, instagrammers profissionais... Ignorantes com músculo no sítio errado e demasiada cirurgia plástica, cantores de músicas com sentidos ocos e vozes modificadas que mostram ao mundo estilos de vida inexistentes e impossíveis, e que têm estabelecido padrões de comportamento ridículos. 

 

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Mas agora começa a aparecer um novo tipo de ídolos. Os que não são artistas nem aparecem na televisão porque sim, e que trabalham part time porque têm um sonho. Ser ricos. Seja publicando livros sobre comida e dietas (que está tanto na moda!), personal trainers (já irritam), vendendo produtos naturais caseiros e, aqueles que "são como nós", como gostam de se vender. Trabalharam como gente normal durante algum tempo e porque estavam deprimidos decidiram mudar de carreira. Estes auto-intitulam-se Life Coaches.

Não sei se esta moda já chegou a Portugal, mas está a haver um boom de gurus da vida. Seres iluminados e abençoados com um conhecimento inimaginável. Prometem partilhar connosco o segredo de uma vida maravilhosa e feliz. Fazer dinheiro facilmente ou como conseguir uma vida ou negócio de sonho, viajar para o resto da vida sem pagar um único cêntimo. Muitos têm 25 anos ou menos. E até já há cursos de Life Coaching!

Realmente há sempre oportunidades de negócio em tempos de crise.

(Mas se calhar os millenials são mesmo uma geração de iluminados que podem mudar o Mundo e eu já estou numa idade em que começo a criticar as gerações mais novas e a minha forma de pensar é ultrapassada)

 

Engraçado como toda esta conversa sobre este tema me assaltou a mente por causa do Instagram. Nunca fui pessoa de gostar de social media pelo que escrevi acima, mas o Instagram tem-me devolvido um pouco da minha criatividade e foi o meio que escolhi para publicar as minhas fotos dos #100happydays. Ao contrário de tantas outras contas, o número de pessoas que me segue tem tendência a decrescer  Porque não mostro a cara nem o corpo e muito raramente, só quando viajo, publico fotos das terras por onde ando. E notei que há imensas pessoas que começam a seguir o meu perfil e dias mais tarde deixam de me seguir. O raciocínio é este: "se eu seguir o perfil dela, ela segue o meu e mais tarde deixo de a seguir, assim fico com mais seguidores do que seguidos". Sei que não tenho obrigação de seguir ninguém, mas parece-me simpáico. A grande maioria são homens de corpo nú no ginásio com grandes citações filosóficas sobre motivação, ou alguém que gosta das minhas fotos de comida e é chef/escritor wannabe ou os tais gurus da vida que procuram seguidores para vender a banha da cobra ou tantos outros "treinadores motivacionais".

(By the way, se puderem, dêem uma olhadela na minha conta (com link aqui do lado direito) )

 

Desculpem se ofendo alguém com este post, mas são mesmo coisas que me perturbam. Já o disse e repito que a coisa que mais nos enriquece é, provavelmente, conhecermo-nos a nós próprios bem e sermos confiantes em quem somos e acredito que isso se consegue através da troca de informação e experiências com outros.

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