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A Outra Face da Lua

A Outra Face da Lua

11
Fev17

Cuidar da nossa Saúde Mental

ipgines

Tenho andado retirada mas felizmente tenho uma catrefada de rascunhos para completar e embelezar. O trabalho tem-me tirado algum tempo, principalmente porque tenho saído às 20:30 e as manhãs são boas para dormir

No início da semana fui chamada ao escritório da directora de departamento e fui a pensar: "O que é que eu já fiz??". Como pensei que a conversa fosse sobre mim e como ela me perguntou se estava bem porque lhe parecia esgotada, desatei a chorar!   Lá lhe contei que não estou a passar pelo melhor momento da minha vida e que em nada está relacionado com o trabalho nem quero sobrecarregar as outras pessoas com os meus problemas. Foi das pessoas mais atenciosas que eu já conheci. Explicou-me que já tinha passado pelo mesmo e que a mãe é psicóloga e que podia sempre pedir-lhe ajuda. Basicamente, o staff que lá está há menos tempo (somos 3) foi chamado individualmente para nos informar que o staff sénior se demitiu todo e ela não queria que pensássemos que era por nossa causa.

 

Como decidi fazer de 2017 o ano em que aceito a 100% a minha condição mental, ajudar outros na mesma situação e fazer parte de associações e grupos de apoio, tenho feito alguma pesquisa para aliar à minha experiência e poder apregoá-la um pouco.

Happy_Heart

Uma das coisas mais simples que se pode aconselhar a alguém com depressão e ansiedade é como aprender a tomar conta de nós! Porque o caminho para nos sentirmos bem e para uma possível cura está na auto compaixão, no cultivo de amor próprio e encontrar tempo para cuidarmos de nós.

 

1) Falar sobre os nossos sentimentos - Não é sinal de fraqueza mas de que estamos decididos a tomar o controlo sobre a nossa vida. Sermos ouvidos tira-nos um peso da consciência e faz-nos sentir apoio. Nem sempre é fácil descrever o que sentimos, mas vale tudo! Deitar para fora! O que pensamos e o que sentimos. Por isso é que tenho tendência a chorar facilmente quando falo sobre o que sinto com as pessoas. Não o faço frequentemente e empurro tudo para dentro de mim.

 

2) Sermos Activos - Exercitar não está apenas relacionado com ginásios e corridas. Andar, passear os cães, tratar do jardim são actividades que fazem puxar por nós fisicamente sem nos fazer perder o fôlego. Qualquer coisa que nos faça levantar o rabiosque do sofá deve servir  Eu mal sei nadar e canso-me imediatamente mas sinto-me muito confortável dentro de água. É um dos meus objectivos para este ano. Voltar à piscina e à hidroginástica.

 

3) Comer bem - ie, comida saudável. Há quem se torne vegetariano ou vegan ou comece dietas malucas. Eu acho que comida verdadeira chega. Nada de produtos processados, nada de açúcares adicionados. Se há segredo bem guardado, é a cozinha portuguesa. Não digo que seja a mais saudável, mas é comida verdadeira. Como não vivo em Portugal é difícil fazer a nossa comida caseira. Aqui é fácil cair nas armadilhas da comida processada e tão convenientemente ready to go. Estive sem comer carnes durante um ano e gostava de voltar a fazer isso. Aqui carnes e peixes frescos são caros e é sempre uma ajuda no controlo de custos. E não senti falta nenhuma!

 

4) Beber responsavelmente - álcool com moderação desinibe-nos e para algumas pessoas, talvez até com doenças mentais, é fácil abusar e é um escape fazê-lo. E não esquecer que beber em demasia é um comportamento auto-destrutivo. Não tenho o hábito de beber e quando o faço sei quando parar. Não me sinto bem fisicamente (coração e estômago).

 

5) Manter contacto - Laços de família e amizade fortes, ajudam a lidar com o stress da vida e fazem-nos sentir queridos e que fazemos parte de algo. As pessoas oferecem-nos diferentes perspectivas sobre o que estamos a passar, podem ajudar-nos a mantermo-nos activos e a resolver problemas. Nem sempre é possível encontrar amigos para beber um café, mas um simples telefonema, uma mensagem, ajuda a manter as vias de comunicação abertas. Que foi exactamente o que eu não fiz! Estive cerca de 2 anos sem qualquer comunicação com pessoas do meu passado recente. Cortei ligações com alguma família e amigos e ainda assim me mantenho hoje. E é algo que me pesa na consciência. Fi-lo por achar que as pessoas não me conhecem realmente porque ponho sempre a minha máscara de "tudo está bem" e não sinto ter o direito de pesar os outros com os meus problemas nem sei se as pessoas se consideram realmente minhas amigas para me aceitar como sou. E para não sofrer com a rejeição deles, acabei por me afastar.

 

6) Pedir ajuda - Às vezes é o mais difícil, por vergonha. Por acharmos que mais ninguém se sente como nós e que passa com o tempo. Mas ninguém é super humano, todos nos sentimos de vez em quando esmagados com tudo o que se passa à nossa volta. Podemos pedir ajuda a família e amigos, a grupos de ajuda, psicólogos... Eu sempre neguei a depressão e sempre achei que fosse coisa de pessoas sem algo para fazer sempre sabendo o que se passava na minha cabeça. Sempre achei que passasse com o tempo e como nunca procurei ajuda e reprimi os meus sentimentos, acabei por ficar pior, a um ponto de não me reconhecer.

 

7) Fazer uma pausa - Mudança de cenário ou ritmo. Seja 5 minutos, um fim de semana, um ano. Me time. A ideia de mudança pode parecer assustadora mas se tivermos controlo sobre a mudança, sabe muito bem. Temos de ouvir o nosso corpo e entender quando necessitamos parar. A minha forma de parar foi mesmo decidir demitir-me do meu último emprego, tirar um tempo e encontrar algo onde sentisse menos stress.

 

8) Fazer algo a que somos bons - Passatempos, hobbies. Aprender algo que sempre quisemos e nunca tivemos oportunidade de aprender. Concentrarmo-nos nestas coisas dá-nos um sentimento de bem-estar e até um sentimento de que somos capazes. Algo que puxe pela nossa criatividade ajuda-nos a deixar de pensar em "lixo" e levanta o estado de espírito. Sempre gostei de trabalhos manuais e quando era pequena alguém me disse que achava que eu me tornaria arquitecta por estar sempre a desenhar casas e interiores.  Há uns meses atrás tentei fazer crochet mas comecei com linha muito fina e frustrou-me imenso não conseguir fazer algo apresentável. Agora limito-me a colorir livros para adultos (desenhos complexos e detalhados) e estou quase a começar uma espécie de pintura com dedos com tinta acrílica.

 

9) Aceitar quem somos - Não só aceitar a nossa condição mental mas aceitar o como nos afecta, quem somos, a nossa personalidade e o bem que podemos fazer. Não podemos ser nem tentar ser o que não somos. Tornarmo-nos uma melhor versão de nós mesmos. Já mencionei num post anterior que acredito que a depressão é uma perda de identidade. Durante muito tempo, e acho que ainda hoje, tento demasiado que as outras pessoas gostem de mim. Moldo-me sempre às personalidades à minha volta e isso cansa! É dispendioso ser quem não somos.

 

10) Cuidar dos outros - É uma forma de mantermos relações familiares e de amizade. Cuidar dos que nos são mais próximos da mesma forma que queremos que cuidem de nós. Usar as nossas habilidades para fazer voluntariado, não só com pessoas mas com animais. Os benefícios do voluntariado são imensos além de nos aumentar a auto-estima. Voluntariado está na minha lista dos "A Fazer", seja com pessoas ou com animais. Tenho pesquisado várias associações de voluntariado mas não é fácil arranjar algo activo. A maior parte do voluntariado é administrativo.